terça-feira, 9 de novembro de 2010

O verdadeiro Egito

O mundo moderno, que só conhecia o povo das tumbas de faraós, agora descobre como ele valorizava a vida

Festa e trabalho

Pinturas egípias em tumba do Vale dos Reis retratam músicos, dançarinos e agricultores

Esqueça aquela imagem dos egípcios antigos como um povo sombrio, obcecado pela morte, que morava no deserto e construía pirâmides magníficas à base de muita chicotada nos pobres escravos. Para dizer o mínimo, ela é injusta. Os egípcios, um povo moldado pelas enchentes do Nilo, isolado por desertos de um lado e cercado por mares de outro, eram detentores de uma cultura que hoje se chamaria "alto-astral" e tão bem-sucedida que pouco mudou durante um período de quase 4 mil anos. Eles gostavam de cantar, dançar, perfumar-se, a mulher tinha um papel importante na sociedade. Eram artistas, arquitetos e possuíam uma literatura riquíssima. Por tudo isso, o Egito virou moda com os livros do egiptólogo francês Christian Jacq, que já vendeu mais de 12 milhões de exemplares em 29 países. Agora, exposições no Brasil devem mostrar um pouco mais desse povo, e nos cinemas estréia O Retorno da Múmia, para quem quiser se divertir com as fantasias sobre as maldições dos faraós. Mas saiba que elas são mais representativas do costume dos modernos de arrombar tumbas atrás de riquezas do que dos antigos de construí-las.

É difícil pensar no Egito Antigo sem levar o Rio Nilo em conta. Foi graças às suas enchentes periódicas que este povo se estabeleceu em suas margens, no que parecia à primeira vista ser um ambiente hostil. Em junho, a inundação do rio se inicia, e se prolonga até outubro. No recuo das águas, o que sobra é um solo fértil, pronto para a agricultura.

Era do rio que os egípcios dependiam. Eles seguiam com atenção suas enchentes e cultivavam cada milímetro de terra fertilizada pelas águas. Para tanto, é natural que tivessem uma administração rígida. Canais eram construídos para aproveitar o máximo do rio, pois não podia haver desperdícios. Sob esse aspecto, os egípcios eram extremamente rígidos; um simples descuido poderia significar fome para o ano inteiro.

O trabalho, principalmente para os agricultores, era árduo. Nos primeiros mil anos desta civilização, eles tinham poucos direitos, mas isso foi mudando ao longo do tempo. Adoravam seus deuses, normalmente podiam sustentar suas famílias, decoravam suas casas de barro com motivos florais e admiravam o faraó como a um deus. "Os egípcios eram um povo como qualquer outro. Eles não viviam esperando a morte", conta o egiptólogo Antônio Brancaglion Jr., da USP. "As tumbas, principalmente as das pessoas comuns, celebravam a vida. Nelas são retratadas festas, caçadas, passeios com a família etc."

Fonte: Revista Galileu

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