Seis dias depois da festança, golpe derrubou dom Pedro II.
O vaivém dos convidados era constante. Eles desciam das barcas a vapor e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias. O tilintar das taças de bebida se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o baile da Ilha Fiscal, promovido por dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889. Aquela foi a última festa do Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto.
O evento, que reuniu mais de 2 000 pessoas, oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas. Mas, na verdade, comemorava as bodas de prata da princesa Isabel e do conde D’Eu. Além disso, a intenção do imperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade.
Naquele novembro de 1889, enquanto as senhoras se preparavam para o rega-bofe, homens conspiravam em confeitarias. Durante a festa, o clima de rivalidade entre monarquistas e republicanos não se manifestou. Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar. Forçado a deixar o país em 17 de novembro, morreu dois anos depois, em Paris.


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