Documento do século XVI revela que indígenas herdeiros da cultura moche, precursora dos incas, tinham um sistema de escrita próprio
Lista anotada no verso de um documento centenário com a tradução dos números em espanhol e em numerais aráicos para a linguagem moche
Não é de hoje que a pechincha é praticada no Peru. Um documento da cultura moche, encontrado em Magdalena de Cao Viejo, no complexo arqueológico de El Brujo, ao norte do país, revela uma discussão sobre o preço de um tipo de tecido datada do século XVI. Mais importante do que a barganha, o verso do documento apresenta uma lista de anotações com a tradução dos números em espanhol para numerais arábicos e para a linguagem moche.
Para Jeffrey Quilter, diretor do projeto arqueológico de Magdalena de Cao Viejo e curador do Museu Peabody, em Harvard, a descoberta mostra que as interações entre os nativos sul- americanos e espanhóis eram muito mais complexas do que se havia imaginado.
O pequeno pedaço de papel foi encontado em 2008, mas a recente análise do documento revela a tentativa de quem o escreveu de compreender o funcionamento do sistema numérico da antiga civilização. Outra revelação importante trazida pelo documento foi a de que o povo moche provavelmente adotava o sistema decimal.
A cidade de Magdalena de Cao Viejo foi construída sobre um antigo templo moche abandonado e tornou-se uma redução, povoado no qual grupos de nativos eram forçados a viver sujeitos às tentativas dos colonizadores espanhóis de civilizá-los e cristianizá-los.
Fonte: História Viva

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