Senac-SP. 304 páginas.
Paulo Henrique Martinez (org.)
Considerado um dos temas mais relevantes da atualidade, o meio ambiente ainda não encontrou o espaço devido na academia. Por isso, são bem-vindas iniciativas como a deste livro, uma seleção de quinze artigos.
O prefácio anuncia a intenção de colaborar para a formação continuada de professores e para o avanço das metodologias do ensino de História. O livro alcança o objetivo e vai além. Desperta a curiosidade do leitor comum ao tratar de temas tão variados como os primórdios das práticas pesqueiras, o imaginário das religiões afro-brasileiras a respeito da natureza, os parques e jardins botânicos e a história das rotas fluviais.
Se é possível estabelecer um pano de fundo para todos os textos, este é o acelerado desenvolvimento econômico de São Paulo nos séculos XIX e XX, analisado a partir de seus impactos sociais e ambientais. Da cafeicultura e das primeiras hidrelétricas aos problemas do esgoto e dos resíduos industriais, a ocupação das terras paulistas aparece como um processo contínuo e coerente, explicável tanto pelos eventos históricos como pelos valores culturais. E resulta em transformação radical da paisagem original. Símbolos máximos disso são o Rio Tietê e a cidade de Cubatão. Um dos destaques é o artigo de Roberto Carlos Massei, que relaciona a construção civil ao rastro de degradação ambiental causado pela extração de argila.
Embora em alguns momentos se afaste do propósito ambiental em si — como nos artigos sobre culinária e trabalho doméstico —, o livro já nasce como referência obrigatória para uma compreensão mais ampla das relações do homem com os recursos naturais. Não só em São Paulo.
(http://www.senac.com.br/)
(Lorenzo Aldé

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