Para quem viu a quase ruína da histórica Igreja de Nossa Senhora do Pilar, no Bairro do Recife, uma construção do século 17, a recuperação do templo é um sinal de esperança e de uma nova etapa de convivência com a comunidade do entorno. Depois de várias tentativas de restauração da igreja, a obra está mais perto do fim.
Igreja terá primeira etapa da obra concluída em agosto. Azulejos foram encontrados
em alguns pontos do reboco. Foto: Bernardo Dantas/Esp. Aqui PE/D.A Press
Pelo menos em relação à consolidação da edificação. O processo seguinte irá trabalhar os bens móveis integrados. Uma das surpresas da obra é a descoberta de vestígios de azulejos da segunda metade do século 17, no revestimento das paredes internas. Até então, a única igreja no estado com esta característica era a de Nossa Senhora dos Prazeres, no Monte dos Guararapes, em Jaboatão.
A descoberta foi feita durante a primeira etapa da obra. Mesmo sem um trabalho anterior de prospecção arqueológica, o arquiteto responsável, Jorge Passos, identificou o processo evolutivo da construção. A capela-mor e a sacristia são do século 19 e a nave da igreja do século17. "Identificamos também que, por trás do reboco, existiam marcas de aplicação dos azulejos nas paredes. E em alguns pontos, os azulejos",revelou o arquiteto. Por causa da descoberta, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) montou uma equipe com especialistas do Recife, Rio de Janeiro e Minas Gerais para definir de que forma ela será exposta ao público.
"Essa descoberta torna a edificação ainda mais importante do ponto de vista patrimonial e a preocupação do Iphan é tornar essa informação acessível ao público", revelou o superintendente do Iphan, Frederico Almeida. Além dos azulejos, também foram encontradas algumas pinturas nas paredes laterais próximas dos coaltares. "Um dos cuidados durante a obra é não destruir ou cobrir registros históricos para preservar o máximo de informações", explicou Jorge Passos.
A primeira etapa da obra, orçada em R$ 575 mil, que será concluída em agosto, consistiu na consolidação do templo. O prédio recebeu cobertura, revestimento, estabilização da estrutura e a recuperação da rede elétrica. A segunda etapa, que será licitada também em agosto, com orçamento de R$ 470 mil, irá trabalhar os bens móveis integrados, que incluem a restauração das cantarias, altares, estucaria e a definição do processo evolutivo da construção.
A previsão é que a segunda etapa seja iniciada até setembro com prazo de conclusão em oito meses. Depois de pronto, o templo será entregue à arquidiocese. "A responsabilidade do uso da igreja será da Arquidiocese de Olinda e Recife. A nossa orientação é que, além das celebrações, sejam criados equipamentos sociais junto à comunidade", ressaltou Frederico Almeida. Ele sugere que o próprio espaço da igreja seja usado para atividades sociais. O Iphan também está trabalhando junto com o município a elaboração de oficinas de conscientização da preservação do patrimônio histórico.

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