quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cientistas estudam lenda de espelho grego que queimava navios

Pintura mostra como seria o uso de espelhos por Arquimedes para incendiar navios romanos

Uma pesquisa da Universidade de Nápoles, na Itália, indica que não passa de lenda o uso de espelhos pelo inventor grego Arquimedes para queimar navios invasores romanos. Os pesquisadores dizem que, na verdade, Arquimedes teria utilizado canhões de vapor - equipamento que já havia sido atribuído ao inventor. As informações são do Live Science.

A lenda, que começou na Idade Média, afirma que Arquimedes utilizava espelhos para concentrar a luz do Sol e queimar navios durante a guerra de Siracusa (do ano 214 a.C. ao 212 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica), na colônia grega de Siracusa, na ilha da Sicília. Nenhum grego ou romano relatou, na época, o suposto feito do inventor.
 
Os pesquisadores compararam os canhões a vapor com os espelhos. Segundo os cientistas, os gregos poderiam ter disparado bolas feitas de argila e recheadas com uma mistura química incendiária conhecida como "fogo grego". Os canhões da época poderiam transformar um copo de água (30 g) em vapor suficiente para disparar os projéteis.

Os cientistas afirmam que no século XV, Leonardo da Vinci já creditava um modelo de canhão a vapor a Arquimedes, além de outros registros históricos que atribuem uma conexão entre a arma e o inventor. O historiador greco-romano Plutarco também fala de uma arma em forma de poste que forçou os soldados romanos a fugirem das muralhas de Siracusa.
 
O filósofo e médico greco-romano Galeno também mencionou um equipamento similar que foi utilizado para queimar os navios romanos, e, de acordo com os pesquisadores italianos, as palavras de Galeno sobre a arma não poderiam ser traduzidas como se ela fosse um espelho.


Os pesquisadores calcularam que o canhão seria capaz de disparar uma bala de 6 kg a 60 m/s, o suficiente para alcançar cerca de 150 m.

Outras investigações foram feitas pelo engenheiro Joannis Stakas e o historiador Evanghelos Stamatis, ambos gregos, que indicam que um espelho parabólico é capaz de iniciar pequenos focos de incêndio em um navio que esteja parado. Outro experimento parecido foi conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), em 2005.

Analisando os dados dessas pesquisas, os cientistas italianos dizem que o uso de espelhos contra navios em movimento seria duvidoso. Além disso, os marinheiros da época seriam capazes de acabar rapidamente com pequenos focos de incêndio.

Por outro lado, o fogo grego é visto historicamente como uma armadilha mortal para os navios da Antiguidade. A mistura química era capaz, inclusive, de queimar dentro da água e foi utilizada pelo Império Bizantino.

Apesar do esforço e da criatividade de Arquimedes, os romanos venceram a guerra e dominaram Siracusa. O destino do inventor, ao final da guerra, foi a morte.
 
Fonte: Terra

Encontrado novo túmulo de Faraó



Cairo, 30 jun (EFE).- Uma missão de arqueólogos descobriu no Vale dos Reis, na cidade de Luxor, o último trecho de um corredor subterrâneo que conduz ao túmulo do faraó Seti I, pai de Ramsés II e que reinou no Egito entre 1314 e 1304 antes de Cristo.

O Conselho Supremo de Antiguidades (CSA) anunciou nesta quarta-feira em comunicado que a descoberta aconteceu após uma busca que durou aproximadamente 200 anos nesta zona de Luxor, a cerca de 600 quilômetros ao sul do Cairo.

Foi a primeira vez na qual os arqueólogos conseguem descobrir totalmente um corredor escavado nas rochas de até 174,5 metros de longitude, que leva a um túmulo de 98 metros de profundidade, segundo o secretário-geral do CSA, Zahi Hawas.

Dentro do corredor, os arqueólogos encontraram peças de cerâmica que datam da dinastia XVIII (1569-1315 a.C.), escadas decoradas com inscrições e a maquete de um barco.

Durante as escavações, os arqueólogos encontraram, além disso, outro corredor de seis metros de comprimento e cuja entrada tem inscrições que contêm as instruções dadas pelo arquiteto aos operários responsáveis pela construção.

A construção do primeiro corredor principal foi suspensa com a morte de Seti I, após a qual Ramsés II começou a construir um túnel igual dentro de sua própria tumba.

O corredor que conduz ao túmulo de Seti, já descoberto, foi encontrado em 1817 pelo aventureiro italiano Giovanni Belzoni, que conseguiu passar pelos primeiros cem metros deste túnel.

Entre 1903 e 1908, o arqueólogo britânico Howard Carter, que descobriu o túmulo de Tutancâmon em 1922, restaurou a entrada do corredor, cuja escavação foi contínua ao longo dos anos até agora. EFE.

Inteligência artificial: robôs já existiam na mitologia clássica

Seres que fazem tarefas humanas já existiam na mitologia clássica.

A origem da palavra robot é recente. O escritor tcheco Karel Capek utilizou-a pela primeira vez em 1920, numa peça de teatro – mas atribui a invenção da palavra a seu irmão, o também escritor Josef Capek, que buscou origem no termo “robota” (“trabalho forçado”, em tcheco). Porém, a idéia de um ser artificial, humanóide ou não, que faça tarefas para o ser humano fascina as mentes de gênios há muito mais tempo. Já na mitologia clássica, o deus Hefesto criou serventes mecânicos inteligentes, que séculos depois inspiraram Homero a escrever sobre autômatos em sua Ilíada.

A história desses seres incríveis é contada em uma exposição em cartaz até setembro no Museu da Comunicação de Berlim, na Alemanha. Fotos, documentos, vários exemplares de robôs e também pinturas, revistas e filmes de ficção científica mostram a visão do ser humano sobre as máquinas em diferentes épocas. Consta que, na antiga China, um artesão chamado Yan Shi teria apresentado ao rei Mu Wang sua criação: uma figura mecânica com aparência humana que, segundo texto do século 3 a.C., podia cantar, caminhar e até paquerar mulheres. Em cerca de 350 a.C., na época de Platão, seu amigo Arquitas de Tarento, filósofo e matemático, criou um pássaro mecânico que, feito de madeira, voava propelido a vapor.
 
Os chineses contra-atacaram outra vez: por volta de 200 a.C. desenvolveram máquinas extremamente elaboradas para a época, como uma orquestra mecânica completa. E, no início da Idade Média, um alquimista islâmico conhecido como Geber incluiu num de seus livros receitas para a criação de cobras, escorpiões e até humanos artificiais. Mitologia ou pura imaginação de mentes férteis, esses casos tiveram importância. Foram eles que inspiraram cientistas a construírem robôs cada vez mais avançados.
 
Vida longa


Até Leonardo da Vinci já projetou robô
 
1495


Leonardo da Vinci projeta o primeiro robô humanóide documentado: um cavaleiro mecânico com corpo de armadura medieval aparentemente capaz de fazer vários movimentos similares aos humanos, como sentar-se, mover os braços, pescoço e maxilar. Para elaborar o robô, Da Vinci utilizou as mesmas pesquisas anatômicas que realizara para compor o famoso Homem Vitruviano. Não se sabe se o italiano chegou a construir o robô em sua época, mas hoje há exemplares baseados nos desenhos do mestre.
 
1737/38


Três máquinas criadas pelo francês Jacques de Vaucanson fizeram sucesso em seu país. A primeira tocava 12 músicas com uma pequena flauta e um tamborzinho. A segunda tocava uma flauta e um tambor maiores, com mais habilidade. Mas o mais importante e que lhe rendeu toda a fama foi a terceira: um pato mecânico capaz de bater asas, grasnar e, o mais impressionante, beber água, comer e até “digerir” a comida (com solventes) antes de defecar!
 
1938


A companhia americana Westinghouse cria Elektro, um robô humanóide de mais de 2 metros de altura e 120 quilos comandado a distância por humanos. Elektro era capaz de mover a cabeça e os braços, contar seus dedos, caminhar por comando de voz, falar (usando um tocador de discos de 78 RPM, com um vocabulário de 700 palavras), simular conversações, encher balões e até fumar (ser chaminé na época era chique). O robô tinha olhos e não era daltônico (sensores fotoelétricos diferenciavam luzes vermelhas de verdes).
 
1941/42


O escritor de ficção científica americano Isaac Asimov usa pela primeira vez a palavra robotics (robótica) e elabora as Três Leis da Robótica, às quais acrescentou uma quarta (lei zero) posteriormente:

0. Um robô não pode causar danos à humanidade (...);

1. Um robô não pode causar danos a um ser humano (...);

2. Um robô deve obedecer às ordens que lhe forem dadas por seres humanos (...);

3. Um robô deve proteger sua própria existência enquanto tal ação não conflitar com as leis anteriores.
 
1948/49


O neurofisiologista William Grey Walter cria um par de robôs que imitam comportamento observado em seres vivos. Conhecidas como “tartarugas”, por causa de sua forma e velocidade, desviavam de obstáculos e se “protegiam” em suas tocas, onde recarregavam as próprias baterias.

1961

O primeiro robô industrial, chamado Unimate (nome da empresa que o fabricou), é colocado para funcionar nos Estados Unidos. Ele foi instalado numa linha de montagem da General Motors. Sua função era empilhar peças, utilizando seu braço mecânico de quase 2 toneladas.

1977

O filme Guerra nas Estrelas apresenta dois robôs, C3PO e R2D2, que inspiraram pesquisadores. Hoje, empresas e centros de pesquisa, quase todos no Japão e na Coréia, investem milhões de dólares em pesquisas para criar robôs humanóides cada vez mais perfeitos, como Asimo (Honda) e Aibo e Qrio (cãozinho e humanóide da Sony), entre outros.
 
Fonte: Revista Aventuras na História.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Arqueólogos encontram sapato mais antigo do mundo na Armênia


Baseado em um único pedaço de couro de boi, o sapato está em perfeito estado de conservação. (Foto: Departamento de Arqueologia da Universidade de Cork, via AP).

Cientistas estimam que objeto tenha 5.500 anos. Calçado foi achado em caverna na Armênia.

Um grupo de cientistas internacionais liderados pela Universidade de Cork, na Irlanda, encontraram o que dizem ser o sapato de couro mais antigo do mundo. O objeto, que estava em uma caverna na Armênia, tem idade estimada em 5.500 anos.

O calçado estava recheado de grama, e os pesquisadores ainda não sabem dizer se o vegetal servia para manter os pés aquecidos ou para conservar o formato do calçado enquanto ele estava guardado.

Segundo os pesquisadores, o chão da caverna estava coberto com uma grossa camada de estrume de ovelha, e isso ajudou a conservar o objeto.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Serviço de Proteção aos Índios completa um século de criação

Órgão fez primeiro contato com diversas tribos indígenas. Museu no RJ guarda relíquias das expedições


Marechal Rondon ao lado do chefe Nambikwara e sua esposa: o barulho do relógio de bolso provoca sorrisos. Foto: Acervo Museu do Índio / Funai

O Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão do governo que inaugurou uma nova fase no indigenismo brasileiro e que, no final dos anos 60, foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai), completa um século de criação neste domingo (20).

O SPI foi criado em 1910, num cenário em que proliferavam os "bugreiros", famosos matadores de índios, e as mortes por doenças assolavam as aldeias. Há um século, as frentes de expansão penetravam pelo interior do Brasil e os índios eram considerados, então, um entrave ao desenvolvimento.

Estátua de Stalin é desmontada 'em segredo' na Geórgia

Sigilo em torno da operação ocorre por causa da popularidade do ex-ditador.
Monumento de seis metros estava na praça central de Gori desde 1950.

Estátua em foto de 2007 (Foto: Vano Shlamov/AFP)

Uma enorme estátua de bronze do ex-líder soviético Joseph Stalin em sua cidade natal de Gori, na Geórgia, foi desmontada sem anúncios durante a noite, informou o governo nesta sexta-feira (25).
Todo o sigilo em torno da operação se deve ao fato de que o ex-ditador ainda é muito popular neste Estado do Cáucaso.
A estátua de seis metros se encontrava na praça central de Gori desde o começo da década de 1950 e, nos últimos anos, foi tema de controvérsia, quando o governo do presidente pró-ocidental Mikhail Sakhashvili sugeriu que fosse retirada.
Muitos habitantes de Gori defendem apaixonadamente a memória de Stalin e se declararam totalmente contra a ideia.
Segundo informações da agência de notícias Reuters, a estátua será levada a um museu dedicado à memória de Stalin. No seu lugar será construído um monumento em homenagem às vítimas da guerra de 2008 contra a Rússia.

A estátua de Stalin foi removida durante a noite e será colocada no jardim de um museu dedicado ao ex-líder (Foto: Nino Chibchiuri/Rueters)

Fonte: G1

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Os vikings não passavam de meros saqueadores?

Esses “homens do norte” ou nordmanni, como eram chamados nos séculos IX e X, eram meros selvagens que atacavam as pobres populações cristãs indefesas. Certo? Errado!



Vindos de um mundo pagão, eles ganharam a fama de bestas violentas por não respeitarem igrejas e mosteiros
O termo viking designa os homens que surgiram no litoral da Europa ocidental no fim do século VIII. Oriundos da Escandinávia, eles organizavam expedições a bordo de seus navios, os #knorr#, pelas margens do Báltico e do Mar do Norte.

Seus objetivos eram variados. Praticavam atividades comerciais importantes, mas também pilhavam as populações costeiras, às vezes subindo rios como o Reno, o Sena e o Loire. A primeira grande incursão teve como alvo as ilhas britânicas na década de 790. Pouco depois, os vikings chegaram à costa do continente europeu.

Durante grande parte do século IX, o reino da Frância Ocidental foi particularmente visado, e Carlos, o Calvo, foi obrigado a lhes pagar tributo. Em certos casos, eles se instalavam em terras estrangeiras. Foi assim com a Normandia, concedida ao líder viking Rollo por Carlos, o Simples, em 911. Em troca, o chefe viking comprometeu-se a proteger o litoral franco contra futuros ataques. 

No entanto, convém relativizar a oposição entre francos e vikings. Estes não eram os únicos que praticavam a pilhagem. No século VIII, os pipinidas, à frente do reino dos francos, promoveram expedições contra os saxões ou os turíngios que não se distinguiam dos ataques vikings.

O apocalíptico 21 de dezembro de 2012

Cientistas da NASA e estudiosos da religião maia refutam as catástrofes supostamente previstas pelo calendário do povo mesoamericano.


O Deus da Morte do período clássico, associado aos anos de grande mortalidade da população e ao eclipse lunar, ocasião em que, para a cultura maia, a existência do mundo ficava por um fio
Profecias de antigas civilizações são sempre intrigantes. Por isso, diversos livros, sites, filmes e documentários têm explorado a previsão supostamente feita pelos maias de que o mundo acabaria em 21 de dezembro de 2012. A previsão de catástrofe, no entanto, não encontra respaldo entre os cientistas.

Intérpretes do calendário maia sugerem que nessa data haverá um alinhamento celeste entre e o Sol e o centro da galáxia, fenômeno que terá consequências nefastas para o planeta. A tese, no entanto, foi categoricamente refutada pelos cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa). Segundo os astrônomos, não há nada de extraordinário nesse alinhamento, que ocorre todo mês de dezembro, e o Sol e o centro galáctico nem sequer coincidirão exatamente em 2012.

Até para estudiosos de fenômenos extraterrestres a profecia maia sobre o fim do mundo não passa de um erro de análise. Para o peruano Ricardo González, os maias nunca se referiram à destruição do planeta. O que estaria indicado para o fatídico 21/12/12 seria o fim de um ciclo, iniciado em 3113 a.C. A boa notícia é que, segundo González, o suposto novo ciclo, a ser inaugurado em 22 de dezembro de 2012, promete ser mais positivo e trará mais esperança para a humanidade.

O Deus da Morte do período clássico, associado aos anos de grande mortalidade da população e ao eclipse lunar, ocasião em que, para a cultura maia, a existência do mundo ficava por um fio.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Separação entre neandertais e Homo Sapiens pode ter ocorrido 500 mil anos antes, segundo o DNA dos dentes Sugere

ScienceDaily (23 de junho de 2010) - A separação de Neanderthal e o Homo Sapiens pode ter ocorrido pelo menos um milhão de anos atrás do que se acreditava anteriormente, de acordo com novas análises de DNA
Robles Aída Gómez. (Crédito: Cortesia da imagem da Universidade de Granada)

A tese de doutorado realizado no Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana (Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana), associada à Universidade de Granada, analisou os dentes de quase todas as espécies de hominídeos que existiram durante os últimos 4000 mil anos. Os métodos quantitativos foram utilizados, e eles conseguiram identificar as características de Neanderthal nas antigas populações européias.

O objetivo principal desta pesquisa, cujo autora é Aida Gómez Robles, foi reconstruir a história da evolução da espécie humana com base nas informações fornecidas pelos dentes, que são as mais numerosas e mais bem preservados restos do registro fóssil. Para este efeito, uma grande amostra de fósseis dental em diferentes locais da África, Ásia e Europa foi analisado. Foram avaliadas as capacidades de cada dente para identificar a espécie a que pertencia o seu proprietário analisado.

O pesquisador concluiu que é possível determinar corretamente a espécie à qual pertencia um dente isolado com uma taxa de sucesso variando entre 60% a 80%. Embora estes valores não são muito elevados, que aumentam a diferentes classes dental do mesmo indivíduo são adicionados. Isso significa que, se vários dentes de um mesmo indivíduo são analisados, a probabilidade de identificar corretamente as espécies podem chegar a 100%.


Aida Gómez Robles, explica que, de todas as espécies de hominídeos conhecidos atualmente ", nenhum deles tem uma probabilidade superior a 5% para ser o ancestral comum de neandertais e Homo sapiens. Portanto, o ancestral comum de esta linhagem é provável que não tenham sido descoberto ainda. "

Simulação de Computador


O que é inovador sobre este estudo é que a simulação computacional foi utilizada para observar os efeitos das mudanças ambientais sobre a morfologia dos dentes. Estudos semelhantes foram realizados sobre a evolução e desenvolvimento dos diferentes grupos de mamíferos, mas nunca sobre a evolução humana.

Além disso, a pesquisa realizada na CENIEH e da Universidade de Granada é pioneira - em conjunto com recentes estudos com base na forma do crânio - no uso de métodos matemáticos para fazer uma estimativa da morfologia dos dentes de ancestrais comuns na evolução árvore da espécie humana. "No entanto, neste estudo, apenas a morfologia dentária foi analisada. A mesma metodologia pode ser usada para reconstruir as outras partes do esqueleto dessa espécie, o que proporcionaria outros modelos que servem como referência para futuros estudos comparativos de novos fósseis achados. "

Para realizar este estudo, Aida Gómez Robles analisou os fósseis empregados de um determinado número de sítios arqueológicos, paleontológicos, como a Colina do Gran e Sima de los Huesos, localizado em Atapuerca intervalo (Burgos, Espanha), e o sitio de Dmanisi no República da Geórgia. Ela também estudou diferentes coleções de fósseis, visitando instituições internacionais como o Museu Nacional da Geórgia, do Instituto de Paleontologia Humana e do Museu da Humanidade de Paris, o Centro Europeu de Investigação Tautavel (França), o Instituto Senckenberg de Frankfurt, o Museu de História Natural em Berlim, o Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados de Pequim e do Museu de História Natural, em Nova York e Cleveland.
 
Os resultados desta pesquisa foram divulgados em dois artigos publicados no Journal of Human Evolution (2007 e 2008), que também será completamente apresentado dentro de alguns meses.

Brasil e Espanha promovem ações de educação patrimonial dedicadas a jovens de diversos países


Está no ar a partir desta sexta-feira (18) o sítio eletrônico do Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial 2010, iniciativa do governo brasileiro associada à realização da 34ª Sessão do Comitê intergovernamental dedicado ao tema, que acontecerá em Brasília, de 25 de julho a 3 de agosto de 2010. No endereço patrimoniojovem.com.br, tanto os jovens brasileiros quanto os de outras 18 nacionalidades podem se informar sobre o evento e apresentar sua inscrição, na forma de um pequeno projeto de Educação Patrimonial. O prazo para envio das propostas vai até a meia-noite de 1º de julho. Os três melhores trabalhos receberão prêmios oferecidos pela Hostelling International (Federação Internacional dos Albergues da Juventude) no valor de R$ 4 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, conforme a ordem de classificação.

Para participar do Fórum serão selecionados 45 representantes de 18 a 22 anos de cada um dos estados do Brasil e dos países convidados de idioma português ou espanhol da América do Sul, África, Ásia e Europa. São eles Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Portugal, Espanha, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor Leste. A abrangência do encontro adota como base o conjunto de países atendidos pelo Centro Regional de Formação em Gestão do Patrimônio Cultural, unidade de referência internacional reconhecido pela Unesco e em fase de implantação no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

O Fórum Juvenil deverá abarcar estudantes, líderes comunitários, membros de associações vinculadas às localidades onde existem bens do patrimônio mundial e sócios da rede internacional de Albergues da Juventude. De 16 a 26 de julho, os jovens participarão de oficinas, eventos culturais, debates e roteiros de visitas a áreas relacionadas a quatro dos 17 bens brasileiros já declarados como Patrimônio Mundial, nas cidades de Foz do Iguaçu – PR, São Miguel das Missões – RS, Goiás – GO e Brasília – DF. O objetivo das atividades é promover a troca de experiências e apresentar ferramentas educativas centradas no envolvimento de comunidades, na construção coletiva de conhecimentos e na apropriação social sustentável dos bens que fazem parte do patrimônio cultural e são referências para a afirmação e valorização da diversidade e das identidades culturais.
 
Fórum Juvenil Ibero-Americano

Um mês antes do Fórum no Brasil, ocorre na Espanha outra iniciativa de educação patrimonial voltada ao público jovem. Marcada para o período de 20 a 30 de junho, a segunda edição do Fórum Juvenil Ibero-Americano do Patrimônio Mundial dá sequência ao evento de mesmo nome realizado em 2009, em Sevilha, quando esta cidade recebeu a 33ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial.

Este ano o encontro será sediado em Aranjuez e terá a participação de estudantes de 12 a 15 anos da Espanha, Portugal e países ibero-americanos. Do Brasil, foram selecionados um adolescente do Ceará e outro do Rio de Janeiro. Além disso, acompanhará o evento a técnica em Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, Sônia Rampim Florêncio, que é a responsável pela organização do Fórum congênere a ser promovido no Brasil.

Os principais temas do Fórum de Aranjuez serão paisagem cultural e turismo sustentável. Além das atividades com os jovens, a expectativa é que o encontro sirva para estimular o aumento do intercâmbio de experiências sobre educação patrimonial entre os Ministérios da Cultura do Brasil e da Espanha. A partir da realização dos dois Fóruns Juvenis, projeta-se ainda a articulação de uma rede juvenil internacional capaz de trabalhar em conjunto com governos e outros agentes da sociedade civil em ações de preservação, promoção e sustentabilidade do Patrimônio Mundial.

Para saber mais informações sobre o Fórum Ibero-Americano, visite o site www.patrimoniojoven.com.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pesquisador diz que norte-americanos rejeitaram o futebol inglês depois da independência

Um historiador do esporte de Indiana EUA, diz que o futebol menos popular nos Estados Unidos do que a Grã-Bretanha por motivos históricos.




"Depois que a América declarou sua independência em 1776, os americanos tinham uma tendência a rejeitar alguns dos passatempos tradicionais britânicos, incluindo esportes," diz o professor de história Randy Roberts da Universidade Purdue. "O jogo que nós jogamos com os nossos pés se transformou em futebol, em vez de futebol, e nosso jogo com um bastão de baseball se transformou em vez de cricket"..

"Hoje, o futebol é o esporte do pluralismo americano. Muitos imigrantes recentes, bem como a primeira e segunda gerações da Ásia, México e América do Sul tem apoio a base de fãs de futebol americano. Mas eu não estou certo de que os fãs se espalharam , disse ele.

Os E.U. Youth Soccer Association, disse que mais de 3 milhões de crianças brincavam nas ligas em 2009, mas Roberts disse que o interesse raramente dura por muitos anos.

"O interessante é que mesmo os jovens que crescem jogando futebol porque amam o esporte, não vêem na TV ou acompanham a liga profissional norte-americano", disse Roberts. "Em vez disso, eles seguem o futebol americano. Não parece haver espaço para dois jogos populares."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Historiadora da UNICAMP encontra e identifica presentes dados e recebidos por Nassau em negociações políticas


João Maurício de Nassau, Mavritivs Nassaviae (latim), Johan Maurits van Nassau-Siegen (neerlandês), Johann Moritz von Nassau-Siegen (alemão), ou Maurício de Nassau. Foi com este último nome que o conde holandês ficou conhecido no Brasil, em 1637, ao chegar acompanhado de um grupo de artistas e cientistas empenhados em explorar e reunir dados sobre a biodiversidade e os hábitos brasileiros. Assim também foi chamado pelos nativos com quem conseguiu estabelecer aliança política a partir da troca de presentes e se tornar o governador geral do Brasil holandês de 1637 a 1644. Nassau (1604-1679) reuniu os presentes em uma coleção formada por objetos tradicionais, pinturas e animais brasileiros, além de uma história natural do Brasil levantada pelos cientistas que o acompanharam. Até aí a história já havia sido contada em vários estudos, mas o que foi feito desta coleção?

Estimulada por essa pergunta, a historiadora Mariana Françozo criou sua própria expedição, esta individual, para iluminar a importância dos objetos brasileiros para a projeção do Brasil e da própria carreira política de Nassau na Europa. A pesquisa de doutorado "De Olinda a Olanda: Johan Maurits van Nassau e a circulação de objetos e saberes no Atlântico holandês (século XVII)",orientada pelo professor John Manuel Monteiro, teve início na Holanda, onde Mariana já havia feito intercâmbio. Entrevistas com historiadores e visitas a museus mostraram que Nassau, considerado um grande visionário por Mariana, usou o capital simbólico criado por ele no Brasil para se colocar politicamente em lugar de destaque quando voltasse à Europa. De posse de tantos objetos de valor, organizou uma festa em sua casa, assim que voltou à Europa, em 1644, para exibir o que tinha realizado em solo brasileiro. Apesar de servir uma bebida com ervas brasileiras que não agradou aos holandeses, as novidades favoreceram alianças com nobres protestantes, entre eles um alemão, eleitor de Brudemburgo, que o ajudou a ser nomeado príncipe do sacro-império romano-germânico. Na seqüência, recebeu o cargo de governador de uma região na Alemanha.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual de Campinas

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Como (não) chegar a paz

#1



#2

Faça da sustentabilidade uma visita bem vinda em todos os cantos da sua casa!

Simulador ensina a cuidar de sua casa deixando-a mais sustentável.


Satélite da Nasa flagra erupção vulcânica em ilha do Pacífico

Vulcão Manam fica a 13 quilômetros da costa de Papua-Nova Guiné.
Earth Observing-1 registrou imagem na quarta-feira (16).



Foto tirada pelo satélite Earth Observing-1 (EO-1), da Nasa, registra erupção do Vulcão Manam, em ilha de Papua-Nova Guiné. ‘Riachos’ de rocha marrom cortam o carpete de vegetação verde que cerca o vulcão. Manam fica a 13 quilômetros da costa. (Foto: Michon Scott / Jesse Allen, EO-1 Nasa - CC atr v. 2.0 genérico)

Arqueólogos descobrem complexo militar fenício no Chipre

Foram encontradas armas, inscrições e pedaços de escudo de bronze.
Construção tem mais de 2 mil anos.

Arqueólogos no Chipre descobriram o que poderiam ser restos de uma fortaleza usada por soldados fenícios em uma cidade antiga fundada por um herói da Guerra de Tróia.

Construções com vista para um complexo fenício de mais de 2 mil anos, descoberto anteriormente, foram encontradas na cidade antiga de Idálio, disse o departamento de Antiguidades da ilha nesta sexta-feira (18).

No complexo, ligado por uma torre, teriam sido descobertas armas de metal, inscrições e pedaços de um escudo de bronze. "O complexo pode ter sido usado por soldados que protegiam a torre", disse o departamento em um informe à imprensa.

Idálio foi fundada por Charlcanor, um descendente do rei troiano Príamo, segundo o departamento. Os mais antigos resquícios da ocupação humana na área são de 7.000 a.C. Os fenícios capturaram a cidade em meados do quinto século a.C, e a governaram por 150 anos.

O complexo mais amplo, que acredita-se ter sido um palácio ou um centro administrativo, é considerado o maior já identificado no Chipre. Escavações começaram em 1991.

De caráter estritamente defensivo, o complexo tem ruas interiores e pátios protegidos por torres, enquanto inscrições foram encontradas na área registrando a coleta de impostos, disse o departamento de antiguidades. A instituição disse que pretende abrir o complexo ao público em breve.

Fonte: Reuters

quinta-feira, 17 de junho de 2010

[NASA Earth Observatory] A chegada da primavera no Ártico Canadense

Tomada em 10 de Junho de 2010, esta imagem em cor verdadeira mostra o oeste do Ártico Canadense, num momento de transformação. Sinais do inverno ainda estão presentes, mas o verão já clareia no horizonte.


Desmatamento pode contribuir para a proliferação da malária, aponta estudo

Cientistas registraram aumento da doença em região próxima ao Peru.

Conservação ambiental deveria ser parte da política de saúde, defendem.

A devastação da Amazônia contribui para a proliferação de mosquitos e pode fazer com que aumente a incidência de malária, mostra pesquisa divulgada nesta quarta-feira (16).

Cientistas americanos descobriram um aumento de 48% nos casos de malária em uma região da Amazônia brasileira que havia perdido 4,2% da sua cobertura vegetal nativa.


Essas conclusões, publicadas na revista "Emerging Infectious Diseases", mostram uma correlação entre a derrubada de árvores, a proliferação dos mosquitos e a maior incidência de infecções em humanos.

"Parece que o desmatamento é um dos fatores ecológicos iniciais que podem desencadear uma epidemia de malária", disse Sarah Olson, da Universidade de Wisconsin, que participou do estudo.

Por telefone, o professor Jonathan Patz, coordenador do estudo, disse que "a política de conservação e a política de saúde pública são uma mesma coisa." "A forma como gerimos nossa paisagem e, nesse caso, a floresta tropical tem implicações para a saúde pública."

A malária, doença causada por um parasita transmitido por mosquitos, mata cerca de 860 mil pessoas por ano no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil tem cerca de 500 mil casos anuais, em geral transmitidos pelo mosquito anófeles.

A equipe de Patz tem monitorado as alterações na população de mosquitos com relação à derrubada da floresta no Brasil e no Peru. O grupo examinou imagens de satélite indicando o desmatamento em um município amazônico, e correlacionou os dados a prontuários médicos com diagnósticos de malária. Mais de 15 mil casos detalhados foram documentados em 2006, às vezes com uso de GPS para apontar o local de residência do paciente.

"Mostramos que uma mudança de 4,2% no desmatamento, entre agosto de 1997 até agosto de 2001, está associada a um aumento de 48% na incidência de malária", escreveram os pesquisadores.

"Paisagens alteradas pelos humanos fornecem um meio de habitats adequados para larvas dos mosquitos anófeles, o que inclui valas em estradas, represas, garimpos, galerias pluviais, sulcos (de pneus) de veículos, e áreas de desmatamento incompleto", disseram.

Outro possível fator é que alguns moradores montaram pesqueiros na região que, segundo Patz, não estão visíveis nas imagens por satélites, mas também podem servir como criadouros de mosquitos.

"Nossas conclusões são provavelmente generalizáveis para muitas partes da Amazônia, e avançam sobre nossos estudos entomológicos do passado na Amazônia peruana", acrescentou o cientista.

"Este estudo de epidemiologia ambiental mostra ainda mais que a política de conservação deveria ser um componente importante para qualquer esforço de controle da malária na região."
 
Fonte: Globo Amazônia

Torre científica de 63 metros de altura desmorona no Amazonas

Estrutura ficou partida em três; ninguém se feriu.
Construção era usada para medições climáticas.
 
Uma torre de metal de 63 metros de altura - o equivalente a um edifício de 20 andares - usada para medições climáticas em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, desmoronou depois que um dos cabos de aço que garantiam sua sustentação foi atingido por uma árvore.
 
A torre científica é uma espécie de andaime gigante de alumínio e estava instalada em meio à floresta. Como tem uma base relativamente pequena, era sustentada por cabos de aço laterais.

Técnicos haviam identificado que uma árvore quebrada poderia atingir um dos cabos. Manobras para tentar retirá-la não deram certo, o cabo foi atingido e a torre se partiu em três pedações. Ninguém se feriu.
 
 
“A floresta é dinâmica, tem árvores que caem com rajadas de vento”, observa Antonio Manzi, gerente-executivo do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA), do qual a torre faz parte. Segundo ele, é normal que pedaços de árvores caiam sobre a estrutura. “Isso já aconteceu outras vezes”, diz. “Em Santarém (PA) já caíram duas (torres). A de Manaus também”, cita.

O LBA é um conjunto de pesquisas integradas com participação de instituições e cientistas brasileiros e estrangeiros, que busca melhorar a compreensão do funcionamento da Amazônia e do impacto das mudanças dos usos de sua terra pelo homem, além das interações entre a floresta e o clima global.

O LBA tem atualmente 11 torres espalhadas pela Amazônia para fazer medições. Uma nova torre de 300 metros – portanto, muito mais alta que as já existentes - deve ser completada até 2011 em parceria com o governo da Alemanha. A partir dela os equipamentos terão um raio muito maior de medição.

Quando a torre de São Gabriel caiu, a principal preocupação era recuperar rapidamente os equipamentos que estavam presos a ela, para então poder reconstruir a estrutura. A queda aconteceu no dia 3 de junho e uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) foi para o local na última quinta-feira (10) para recuperar os equipamentos com apoio do Exército.
 
Fonte: Globo Amazônia

Problema com pistas de pouso deixa índios sem atendimento médico

Parte das pistas na Terra Yanomami não são homologadas junto à Anac.
Segundo índios, paciente picado por cobra espera há 5 dias.

Índios estão sem atendimento médico na Terra Yanomami, que se divide entre os estados de Roraima e Amazonas, porque aviões contratados pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) não podem pousar em pistas não homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O fato foi denunciado pelos indígenas e confirmado pela Funasa.


De acordo com a Hutukara Associação Yanomami, há pelo menos dois pacientes esperando remoção para Boa Vista em comunidades isoladas. As aldeias só podem ser alcançadas de avião.

Um dos pacientes, de acordo com Dário Vitório Xirian, diretor da Hutukara, foi picado por uma cobra há cinco dias e está com a perna apodrecendo.

Xirian não soube precisar o número de comunidades que ficaram sem atendimento, mas apontou que são 14 as pistas não homologadas na reserva.

Segundo informa a assessoria de imprensa da Funasa em Roraima, boa parte das pistas usadas na Terra Yanomami foi construída por garimpeiros que exploravam a região e não estão dentro das especificações da Anac.

Ainda assim, a fundação as utilizava porque eram a única forma de acesso. Desde a semana passada, a empresa área contratada para transportar os funcionários da Funasa e os pacientes tem se recusado a voar para o local em cumprimento à Anac.

A Funasa afirma que pedir a homolagação das pistas junto à Anac é responsabilidade da Funai. O pedido já teria sido feito. A Funai respondeu solicitação de detalhes feita pelo Globo Amazônia até o fechamento desta reportagem.

Não há previsão para que os voos à Terra Yanomami sejam retomados. Os yanomami somam 17 mil pessoas divididas entre 300 comunidades.
 
Fonte: Globo Amazônia

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sexo, brigas e fetiches

Historiador português lança livro com os bastidores do passado lusitano.


Fetiches, brigas de famílias, doenças, sexo, fatos consagrados que nunca aconteceram são alguns dos temas que se encontram no livro Histórias Rocambolescas da História de Portugal (editora Esfera dos Livros). Fofocas da história ou uma tentativa de desvendar mitos?

Da antiguidade à época contemporânea, João Ferreira procurou descobrir curiosidades sobre os personagens mais famosos de seu país. Alguns deles são muito conhecidos por nós, como D. João V, D. Maria I e Salazar. O objetivo do autor era trazer, para o grande público, questionamentos que os historiadores já tinham conhecimento, mas que não sabiam como divulgar. Daí o prefácio feito por Ferreira Fernandes que diz que o autor “tem formação de historiador e prática de jornalista”, pois sabe aguçar a curiosidade do público e entreter com coisas “sérias”.

Dentre as inúmeras peripécias, tem o fetiche por freiras que o rei “Magnânimo”, D. João V, possuía. O monarca português deixou três filhos, com mulheres diferentes da rainha, sendo dois deles em duas ordens religiosas de Lisboa. A preferida era a madre Paula, mãe de seu filho mais novo e dona de um dos quartos mais invejáveis do convento de Odivelas, com tamanho e ornamentação dignos de um membro da alta nobreza. Todas as noites, D. João V ia ao mosteiro, mas não era para rezar e sim para realizar uma das mais novas modas entre a nobreza européia, o amor entre nobres e clero.
 
Já outro personagem bastante conhecido é Salazar. Um dos maiores ditadores da época contemporânea não podia ser nada menos que muito orgulhoso. Ao final de sua vida e gravemente doente, o homem que governou Portugal por quase 40 anos se deixou cair em uma cadeira de lona que não agüentou a força da queda e fez com que sua cabeça batesse no chão de pedra. D. Maria, sua governanta, quis levá-lo ao médico urgentemente, mas Salazar disse que não era necessário e a proibiu de contar o acontecido a quaisquer pessoas. Porém, dessa vez, dona Maria não obedeceu o patrão, fazendo com que o fato corresse solto nas bocas dos portugueses.


A moda dos livros sobre anedotas da história corre o mundo e Portugal não podia ficar de fora. Além do livro que está sendo lançado este ano, João Ferreira é autor de Frases que fizeram a história de Portugal, escrito em parceria com Ferreira Fernandes e que apresenta as passagens mais conhecidas pelos portugueses com seu contexto e autoria.

Comida também faz História

Jornalista norte americano estuda a influência dos alimentos em diversas passagens da história mundial.

Você sabia que a batata, o cravo, o milho e diversos outros produtos mudaram a sua vida e a da sua família por gerações? É o que mostra o novo livro de Tom Standage, Uma história comestível da humanidade (Zahar, 2010).


Segundo o autor, a História pode ser vista por diversos pontos, e um deles é através dos alimentos. Há uma lógica muito simples para convencer o leitor, o homem precisa de comida para viver, logo, ela é estrutural nas relações sociais desde a pré-história até os nossos dias. As primeiras civilizações se constituíram pela alimentação. Os coletores e caçadores, os primeiros agricultores, as religiões que celebravam a fartura são exemplos de como o alimento era uma influência no cotidiano das pessoas. Depois, a busca por especiarias acaba por globalizar o mundo. A América é descoberta e novos produtos passam a fazer parte da mesa dos europeus, dos ameríndios e dos africanos.

Mas não se engane pelo nome chamativo do livro. O editor de negócios e tecnologia da revista The Economist tem muitas reflexões sobre o destino da humanidade, demonstrando que a comida não tem somente um lado bom. A industrialização a modificou e a transformou em objeto de consumo, por vezes, supérflua. Os alimentos podem gerar guerra por uma contradição básica: poucos tem muito e muitos não têm o suficiente para suas necessidades básicas. Hoje, a culinária e os mais diversos alimentos são globalizados, contudo o acesso ainda é restrito. Com uma população que cresce absurdamente, principalmente nos países menos desenvolvidos, haverá alimentos para todos? E a qualidade desses alimentos? Transgênicos, alimentos orgânicos e novos produtos criados pelo homem continuarão modificando a história do mundo e de seus habitantes.

Este é o segundo livro de Tom Standage sobre história. Na mesma linha dessa obra mais recente e que já é sucesso garantido, o jornalista publicou o best-seller História do mundo em seis copos. Mais um livro para os amantes de história se deliciarem.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

terça-feira, 1 de junho de 2010

Instituto na Amazônia resgata história das primeiras expedições, em 1954

Criado por decreto em 1952, Inpa é referência sobre pesquisas no AM. Memorial terá 30 fotos e 54 objetos usados pelos primeiros cientistas.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) inaugura nesta segunda-feira (31), um memorial com acervo que resgata as histórias das primeiras excursões científicas feitas por pesquisadores. O instituto foi criado por decreto em 1952 e implantado em 1954.

“Levantamos 30 fotos das primeiras excursões e das duas primeiras sedes do instituto", diz Silvia Lessi, chefe de documentação e informação da biblioteca do Inpa. Ela relata as dificuldades que os primeiros pesquisadores enfrentavam ao explorar a Amazônia, nas décadas de 1950 e 1960. “Eles traziam suas ferramentas do exterior, a pesquisa era muito mais difícil", diz ela.

A primeira excursão científica do Inpa foi feita por botânicos em 1954, quando pesquisadores percorreram áreas no Rio Urubu, no Amazonas.

O acervo do memorial também conta com 54 objetos - são placas, microscópicos, medalhas e a primeira máquina fotográfica usada pela equipe. A primeira publicação periódica do instituto também estará exposta.

Em outras etapas do projeto, mais 150 fotos e ferramentas, que ainda estão sendo estudadas, serão incluídas no memorial. O Inpa também investe na recuperação de obras raras da biblioteca, por meio do projeto Memória da Ciência na Amazônia.

O memorial será montado na sede do Inpa, em Manaus. A visitação é gratuita e pode ser feita aos sábados e domingos das 9h às 16h e de terças às sextas das 8h às 17h.
 
Primeira expedição científica do Inpa, em 1954, no Amazonas. (Foto: Acervo Inpa/ Divulgação)
 
Fonte: Globo Amazônia

Abandonado, cemitério indígena de mais de 700 anos acaba destruído em Manaus

Sítio foi descoberto por causa de obra para conjunto habitacional. Local possuía mais de 200 vasos funerários, mas erosão levou a maioria.

Um cemitério indígena de mais de 700 anos, no norte de Manaus, no Amazonas, está praticamente destruído após ter sido desenterrado por máquinas durante a construção de um conjunto habitacional.


A erosão abriu grandes vossorocas na área do cemitério e praticamente arruinou o sítio arqueológico. (Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia)

O sítio arqueológico se encontra no bairro Nova Cidade. Urnas funerárias de cerâmica apareceram durante trabalhos de terraplanagem em 2001, e a área foi interditada. Na época, cerca de 200 vasos funerários foram mapeados, e 13 deles exumados, segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
Morador da região, o leitor do Globo Amazônia Sócrates Paiva, inconformado com a destruição do patrimônio histórico, resolveu enviar mensagem ao portal denunciando a situação. “Está totalmente abandonado, à mercê de vândalos”, diz ele. “Quero saber se dessa vez será feita alguma coisa”.

Como a camada superior de terra foi removida do local, a erosão e o acesso de curiosos tratou de destruir a maioria das peças ainda enterradas. “Entre 2001 e 2004, 140 recipientes foram perdidos pela erosão”, cita Francisco Pugliese, arqueólogo do Iphan.

Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia Borda de urna funerária indica que o terreno já foi um cemitério indígena. (Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia)

Proprietária da área e responsável pela obra, a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) do Amazonas informa que o caso está parado na Justiça desde 2004.

A arqueóloga Helena Lima, que explorou o cemitério no contexto do Projeto Amazônia Central, um programa de estudo da região, só não dá o local como totalmente perdido porque ainda poderia servir para que os cientistas estudem os efeitos que a retirada da camada superior de terra pode causar a sítios como este. “Temos que pensar em como compensar a população de Manaus, trazer informações sobre a história, a cultura”, lamenta. Existe a proposta de criar um centro comunitário no local.

A pesquisadora nota que o sítio é único porque se encontra em terra firme: “É muito relevante porque normalmente os grandes sítios se encontram em lugares adjacentes aos grandes cursos d’água”.

O sítio do bairro Nova Cidade não passou por datação absoluta com a técnica do carbono 14, mas sabe-se que ele existe há mais de 700 anos porque as cerâmicas ali encontradas são de estilo conhecido pelos historiadores como “Paredão”, que corresponde ao período entre os séculos 7 e 13. Ou seja, antes da chegada dos europeus ao Brasil, que se iniciou no século 16.

Abandonado, o cemitério causa preocupação aos moradores das cercanias, mas não por qualquer razão mística ou sobrenatural. Segundo relatos de vizinhos, o local serve de esconderijo para ladrões que agem no bairro e para usuários de drogas. “Outro dia até morreu um homem aí”, comenta uma moradora.
 
 

Fonte: Globo Amazônia