terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Primeiro arranha-céu do mundo foi um monumento à intimidação

Pesquisa da Universidade de Tel Aviv descreve como torre de 11 mil anos foi usada para explorar temores primitivos no começo do período Neolítico.


Descoberta por arqueólogos em 1952, uma torre de pedra de 28 metros de altura na periferia da cidade de Jericó, em Israel, tem intrigado os cientistas desde então. Agora, onze séculos após sua construção, os arqueólogos da Universidade de Tel Aviv, estão revelando novos fatos sobre o primeiro "arranha-céu" do mundo.
Os pesquisadores Roy Liran e Ran Barkai, do departamento de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, afirmam que este é o primeiro exemplo de estruturas desta altura erguidas por seres humanos, mesmo antes da transição para a produção agrícola na região.

Liran e Barkai agora acreditam que a torre, que levou cerca de 10 anos para ser construída, é uma indicação de disputas de poder no começo do período Neolítico. De acordo com a pesquisa, uma pessoa ou um grupo de pessoas exploraram os temores primitivos dos moradores de Jericó para persuadi-los a construir a torre. As novas revelações sobre a estrutura foram publicados recentemente na revista científica Antiquity.
"No artigo publicado recentemente, nós apresentamos uma descoberta nova e excitante, que está relacionada à posição exata da torre em relação a Jericó e a sombra que cobre o local ao por do sol do dia mais longo do ano", afirmam os pesquisadores em declaração conjunta.
"A reconstrução do por do sol revelou que a sombra do morro no dia mais longo do ano cobre exatamente a torre de Jericó e, em seguida, cobre toda a aldeia", explicaram os pesquisadores. "Por esta razão, acreditamos que a torre serviu como um elemento terrestre conectando os moradores do local com as colinas ao redor deles e com o elemento celeste do sol poente", afirma a pesquisa. "Sua construção pode estar relacionada com os medos e as crenças primitivas cosmológica dos aldeões", explicam os pesquisadores.
A torre está localizada em Jericó, na Cisjordânia, um dos povoados mais antigos do mundo. A construção de 8,5 metros, que tem uma escada íngreme, começa a partir de um muro de quatro metros de altura, que provavelmente cercava a cidade na época da construção.
A existência da torre até os dias de hoje levou à identificação de Jericó como a primeira cidade no mundo, mesmo que fosse de fato um vilarejo de caçadores pré-agrícolas. "Esta foi uma época em que a hierarquia e a liderança foram criadaa", explica Barkai, em entrevista ao jornal Jerusalem Post. "Acreditamos que esta torre foi um dos mecanismos que motivaram as pessoas a viverem em communidade", disse.
Alguns pesquisadores sugeriram que a torre e o muro em conjunto representam um sistema de fortificação e defesa contra inundações. Outros sugeriram que a torre e a parede eram uma indicação geográfica, que definia o território dos primeiros moradores de Jericó, além de ser um símbolo da riqueza e do poder da antiga vila.
Em um artigo de 2008, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv indicaram que a parede e a torre devem ser vistas como marcadores cosmológicos, que ligam a antiga vila de Jericó com o vizinho Monte Qarantal. O novo estudo fortalece a hipótese. 

Esta idéia é baseada no fato de que o eixo do lance de escadas da torre foi construído em um ângulo preciso para o pôr do sol no dia mais longo do ano, atrás do pico mais alto do Monte Qarantal, com vista para Jericó. Os pesquisadores acreditam que a torre é o primeiro arranha-céu da humanidade, ainda que pequeno, e também o primeiro prédio público do mundo.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Independência do Brasil: 1822


Talvez devêssemos sempre usar aspas ao falarmos em “independência” do Brasil, por termos dúvidas em relação ao verdadeiro significado desse termo.

1) Quando um país ou um território é efetivamente independente? O que significa “ser independente”? De quem?
2) De fato, em 1822, o Brasil formalizou sua separação política de Portugal. Mas será que, a partir de então (e até hoje), somos verdadeiramente independentes, no sentido de apenas nós, brasileiros, tomarmos as decisões que dizem respeito ao nosso futuro?
3) De 1822 até hoje, quais são as forças externas que influenciam a vida do conjunto de brasileiros ou limitam a real independência do país?

Os textos a seguir foram selecionados em função das idéias que os autores do século XX tem sobre a independência do Brasil, leia-os e reflita tentando responder os questionamentos acima.

"Deriva daí, ..., o desequilíbrio da vida financeira do país. O comércio internacional do Brasil se torna quase permanentemente deficitário. Entre 1821 e 1860 só excepcionalmente ocorrem anos com balanços positivos (...). O déficit será saldado pelo afluxo de capitais estrangeiros, sobretudo empréstimos públicos, que efetivamente começam a encaminhar-se para o Brasil desde que o país é franqueado ao exterior. Mas isto representa apenas solução provisória que de fato ia agravando o mal para o futuro, pois significa novos pagamentos sob forma de juros, dividendos, amortizações, e portanto novos fatores de desequilíbrio da balança externa de contas. A economia brasileira ficará na dependência de um afluxo regular e crescente daqueles capitais estrangeiros de que não poderá mais passar sem as mais graves perturbações (...). Mas este mesmo afluxo não impedirá a drenagem de todo ouro existente e daquele que continuava a ser produzido no país (...)".

(PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil, 38.ed. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 133.)

"Mas o que é mais essencial é que, como garantia pelo empréstimo internacional que lhe concederam o governo [Fernando Henrique] ofereceu uma transferência de “capacidade de decisão”, o que transforma o Brasil na primeira cobaia internacional de um experimento que combina, num “mercado emergente”, a aceitação contratual e compulsiva das regras e prescrições do Acordo Multilateral de Investimento (...) com as regras já aceitas pelo Brasil da Organização Mundial do Comércio e mais uma fórmula nova e não constitucionalizada de dolarização da economia. (...) O país fica dispensado de fazer ou controlar sua política monetária, fiscal, comercial e industrial. E seria uma ingenuidade, nessas circunstâncias, querer que o país tivesse, nessas condições, uma política externa autônoma. A opção que o governo fez, como se pode ver, foi absolutamente radical e dispensa a partir de agora qualquer preocupação “boba” e “anacrônica” com assuntos do tipo “soberania nacional”.

(FIORI, José Luís. A ilusão do desenvolvimento. Folha de São Paulo, São Paulo, 24/01/1999, Caderno Mais, p. 5-4/5.)