segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Império Romano

Por Rainer Sousa

Quando olhamos para a extensão do Império Romano em um mapa, mal chegamos a imaginar que esta civilização se originou de um pequeno povoado da Península Itálica. Encravada na porção central deste território, a cidade de Roma nasceu por meio dos esforços dos povos latinos e sabinos que, por volta de 1000 a.C., teriam erguido uma fortificação que impediria a incursão dos etruscos.
As poucas informações sobre as origens de Roma são encobertas pela clássica explicação mítica que atribuem sua fundação à ação tomada pelos irmãos Rômulo e Remo. Após a fundação, Roma teria vivenciado seu período monárquico, onde o rei estabelecia sua hegemonia política sobre toda a população e contava com o apoio de um Conselho de Anciãos conhecido como Senado.
Os membros do Senado eram oriundos da classe patrícia, que detinha o controle sobre as grandes e férteis propriedades agrícolas da região. Com o passar do tempo, a hegemonia econômica desta elite permitiu a formação de um regime republicano em que o Senado assumia as principais atribuições políticas. Entre os séculos VI e I a.C., o regime republicano orientou a vida política dos cidadãos romanos.
Entretanto, a hegemonia patrícia foi paulatinamente combatida pelos plebeus que ocupavam as fileiras do Exército e garantiam a proteção militar dos domínios romanos. Progressivamente, a classe plebeia passou a desfrutar de direitos no interior do regime republicano e a criar leis que se direcionavam aos direitos e obrigações que este grupo social detinha.
Apesar de tais reformas, a desigualdade social continuava a vigorar mediante uma sociedade que passava a depender cada vez mais da força de trabalho de seus escravos. As conquistas territoriais enriqueciam as elites romanas e determinavam a dependência de uma massa de plebeus que não encontravam oportunidades de trabalho. De fato, as tensões sociais eram constantes e indicavam as diferenças do mundo romano.
Paulatinamente, as tensões sociais se alargaram com a ascensão de líderes militares (generais) que cobiçavam tomar frente do Estado Romano. As tentativas de golpe sinalizavam a ruína do poder republicano e trilharam o caminho que transformou Roma em um Império. No século I a.C., o general Otávio finalmente conseguiu instituir a ordem imperial.
Durante o Império, observamos a ascensão de governos que mantiveram a ordem, bem como de outros líderes que se embebiam do poder conquistado. No século I d.C., o desenvolvimento da religião cristã foi um ponto fundamental na transformação do Império. A doutrina religiosa e expansionista contrariou as crenças (politeísmo) e instituições (escravismo) que sustentavam o mundo romano.
Por volta do século III, o advento das invasões bárbaras e a interrupção da expansão dos territórios caminhavam em favor da dissolução deste Império. Apesar da derrota imposta aos romanos, suas práticas, conceitos e saberes ainda são fundamentais para que compreendamos a feição do mundo Ocidental. De certa forma, todos os caminhos ainda nos levam (um pouco) a Roma.

Dona Filipa de Vilhena

Dona Filipa de Vilhena.
1801, óleo sobre tela 150 x 212 cm,
colecção particular, Lisboa, Portugal


É a obra prima de Vieira Portuense (1765-1805). Estudada em Londres, pintada no Porto em 1801, no regresso a Portugal após uma prolongada estada no Estrangeiro. Vieira recebeu do Visconde de Anadia, Secretário de Estado da Marinha e Conquistas, uma encomenda de uma grande pintura histórica, a comemorar a paz feita com a Espanha e a glorificar o Regente. Daí terá vindo a nomeação para "primeiro pintor da Real Câmara e Corte".
Vieira Portuense morreu na Madeira em 2 de Maio de 1805.
Fonte: José Augusto França
A Arte Portuguesa de Oitocentos,
Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa,"Biblioteca Breve", 1983

Desenho representando alguns dos exercícios para o manejo da lança pelas Ordenanças. Em 11 de Dezembro de 1808 foi determinado o «Levantamento em Massa» da Nação portuguesa, organizando-se imediatamente as Legiões de Lisboa, devido ao perigo de uma nova invasão francesa e à inexistência de cooperação das tropas britânicas postadas em Oeiras.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Há 99 anos...

REVOLTA NA MARINHA

Revoltados com a decisão presidencia que permitia a expulsão da Marinha dos envolvidos na Revolta da Chibata, fuzileiros navais alojados na Ilha de Cobras se amotinaram no pátio em vez de se dirigirem a suas camas ao ser dado o toque de recolher, às 21h30. O governo, alarmado com as conspirações que começaram no Encouraçado Minas Gerais (foto), inicia uma repressão sangrenta ao levante. A luta que durou toda a madrugada, resultou na morte da maioria dos rebelados.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Natal no Instituto Francisca de Souza Peixoto


Sem Provisões

Sem Provisões

O Africano – Socorro, socorro! Os antropófagos!


Na charge de J. Carlos para Careta em 1941, uma perspicaz inversão de valores retrata a invasão da África pelas forças européias.

Decifre se for capaz

Abaixo, uma carta de D. Pedro II para a condessa de Barral, sua grande amiga e preceptora das princesas Isabel e Leopoldina.



Clique na imagem para ampliar.

Armando a encrenca

Charge de 1921 sugere uma aliança improvável na política nacional


Em 1921, uma década depois da Campanha Civilista que opôs Hermes da Fonseca a Rui Barbosa, a charge sugeria mais uma das alianças improváveis na política nacional: os antigos inimigos numa coligação contra o presidente Epitácio Pessoa. Nessa época, a imprensa publicou cartas falsas atribuídas a Arthur Bernardes (candidato à sucessão de Epitácio) atacando o marechal Hermes da Fonseca, agravando a crise com os militares. Na aliança da charge, o corpulento Hermes se une à grande cabeça de Rui.

ARMANDO A ENCRENCA

HERMES – Estamos na hora, conselheiro! Pode-se armar uma grande safarrascada...

RUY – Em verdade lhe digo, marechal, que, se nos juntarmos, pintaremos o sete...

HERMES – Teremos, então, corpo e cabeça...

RUY – E não se falará mais na careca...

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dica de Leitura para as férias: "O Príncipe Maldito" de Mary Del Priore

O homem que sonhou reinar

A história esquecida de Pedro Augusto, o neto de dom Pedro II que foi preparado para lhe suceder


A historiografia brasileira convive, há 140 anos, com uma sombra. É a parte que trata da vida do príncipe Pedro Augusto de Bragança Saxe e Coburgo, primogênito da princesa Leopoldina, a filha mais nova de dom Pedro II. Quase ninguém ouviu falar nele, apesar de ter sido preparado pelo avô, durante quase uma década, para ser o futuro imperador do Brasil. Era visto assim no país e até nas cortes européias. A infância gloriosa, cercada dos mimos que se conferem a um futuro monarca, foi progressivamente substituída pelo amargor de uma juventude sob intensa disputa familiar e intrigas políticas. Mas nem mesmo uma vida de fortes emoções e disputas políticas lhe foi possível. Suas chances de lutar para liderar um império se dissolveram com a proclamação da República. Pedro Augusto, jogado ao ostracismo, enlouqueceu e acabou morrendo em um manicômio na Áustria. Apesar dessa trágica sucessão de fatos, sua vida foi esquecida pelos livros escolares e pelos historiadores em geral. Essa é a bruma que começa a se dissipar em O Príncipe Maldito – Traição e Loucura na Família Imperial (Editora Objetiva; 36,90 reais; 296 páginas), da historiadora Mary Del Priore, que chega às livrarias no fim do mês.

A história de Pedro Augusto também ajuda a compreender melhor o drama da sucessão que mobilizou o Brasil na segunda metade do século XIX. Dom Pedro II chegou a ter dois filhos homens, mas ambos morreram antes de completar 3 anos. A princesa Isabel, a filha mais velha do imperador, não conseguia engravidar nos primeiros anos de seu casamento com o conde d'Eu. A aflição da falta de um sucessor era intensa. Foi em meio a essa angústia que surgiu a notícia da gravidez da princesa Leopoldina, a filha mais nova do imperador. Pedro Augusto nasceu em 1866, no Rio de Janeiro, e desde o primeiro momento catalisou a atenção da corte. Com ele, a sucessão estaria garantida. "Como era o neto predileto de dom Pedro II, espalhou-se a sensação de que ele poderia suceder ao avô no trono", afirma o historiador José Murilo de Carvalho. O império, enfim, dormia mais tranqüilo.

Pedro Augusto parecia talhado à perfeição para o trono. E o país o tratava assim, até que a princesa Isabel finalmente engravidou, dez anos depois do casamento. Pela Constituição do império, o filho mais velho de Isabel seria o natural sucessor de dom Pedro II. E esse passaria agora a ser Pedro de Alcântara, que nasceu em 1875. Começou ali o drama pessoal que viria a se converter na trágica história do príncipe Pedro Augusto. A idéia de que não seria mais o ocupante do trono era devastadora. "O menino começou a somatizar o drama. Tinha insônia e tremores nas mãos", diz Mary Del Priore. A vida não teria sido tão aflitiva se a possibilidade de suceder ao avô tivesse se encerrado ali para sempre. Mas a discussão se arrastou, porque servia aos interesses políticos de então.

O Brasil vivia as tensões da campanha abolicionista e do movimento republicano. Era o tipo de ambiente no qual florescem as mais cruéis intrigas palacianas. A rede de boatos do império se pôs a funcionar para semear a discórdia na família imperial. Pedro Augusto se tornou um instrumento útil. Sobretudo diante da indisfarçável predileção de dom Pedro II por ele. Faziam programas juntos, iam ao teatro e passavam horas observando as estrelas, um dos hobbies do imperador. Formado em engenharia, Pedro Augusto tornou-se estudioso dos minerais. O que o fazia ainda mais cativante, segundo Mary Del Priore, era o fato de ser inteligente, divertido e envolvente. Acompanhando o avô em viagem pela Europa, era recebido com entusiasmo pelas cortes locais. Estava ali o sucessor ideal do monarca. Nas ruas, Pedro Augusto passou a ser conhecido como "o favorito", evidenciando a disputa que foi travada aos sussurros nos corredores do palácio imperial. O sucesso do príncipe na Europa, comentado em jornais da época, acirrou os ânimos da princesa Isabel e de seu marido, o conde d'Eu.

O clima na família era conturbado. Pedro Augusto não se dava bem com o primo, Pedro de Alcântara. Havia uma rivalidade latente. Também não simpatizava com os tios, por mais que as diferenças não fossem públicas. Ciente das pretensões de Pedro Augusto ao trono, Isabel questionava o pai sobre a sucessão, à qual se referia como la grosse question (a grande questão, em francês). Em meio à turbulência política da época, ganhou força o boato de que dom Pedro escolhera a data de seu aniversário, 2 de dezembro, para abdicar em favor de Isabel. Os que disseminavam essa versão sustentavam também que a princesa, por sua vez, abdicaria em favor do sobrinho. Mas a proclamação da República roubou os últimos sonhos de Pedro Augusto. Ele tinha 23 anos quando, já abatido por surtos psicóticos, fugiu com a família para a Europa. Os surtos se agravaram progressivamente. Chegou a ser atendido por Freud, então um jovem médico austríaco. Aos 27 anos tentou o suicídio, transtornado pelo boato de que o primo que odiava havia assumido o trono brasileiro. Viveu solitário e teria morrido virgem, aos 68 anos, após passar 41 deles atrás das grades de um manicômio. Seu esquecimento foi quase completo. Essa lacuna começa a ser preenchida agora, restituindo à historiografia brasileira um personagem fascinante.

Publicado na Revista Veja por Ronaldo Soares.

Recomendação de Filme: "Amistad"

TÍTULO DO FILME: AMISTAD (Amistad, EUA, 1997)

DIREÇÃO: STEVEN SPIELBERG

ELENCO: Morgan Freeman, Anthony Hopkins, Matthew McConaughey, Nigel Hawthorne, Djmon Housou, David Paymer, Anna Paquin; 162 min.


TEMÁTICA:

Em 1839 dezenas de africanos a bordo do navio negreiro espanhol La Amistad matam a maior parte da tripulação e obrigam os sobreviventes a leva-los de volta à África.Enganados, desembarcam na costa leste dos Estados Unidos, onde, acusados de assassínios, são presos, iniciando um longo e polêmico processo, num período onde as divergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravista, caracterizavam o prenúncio da Guerra de Secessão.


CONTEXTO HISTÓRICO:

O filme mostra o processo de julgamento de negros nos Estados Unidos, 22 anos antes do início da Guerra Civil, num contexto marcado pelo expansionismo em direção ao Oeste e pelo acirramento das divergências do norte protecionista, industrial e abolicionista, com o sul livre-cambista, agro-exportador e escravista.Na passagem do século XVIII para o XIX, os Estados Unidos recém-independentes formavam uma pequena nação, que se estendia entre a costa do Atlântico e o Mississipi. Após a independência, o expansionismo para o Oeste foi justificado pelo princípio do "Destino Manifesto", que defendia serem os colonos norte-americanos predestinados por Deus a conquistar os territórios situados entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A crescente densidade demográfica, a construção de uma vasta rede ferroviária iniciada em 1829 e a descoberta de ouro na Califórnia em 1848, também representaram um estímulo para conquista do Oeste.A ação diplomática dos Estados Unidos foi marcada por um grande êxito nas primeiras décadas do século XIX, quando através de negociações bem sucedidas os Estados Unidos adquirem os territórios da Lousiana (França), Flórida (Espanha), além do Oregon (Inglaterra) e até o Alasca da Rússia, após a Guerra de Secessão.Em 1845, colonos norte-americanos proclamaram a independência do Texas em relação ao México, iniciando-se a Guerra do México (1845-48), na qual a ex-colônia espanhola perdia definitivamente o Texas, além dos territórios do Novo México, Califórnia, Utah, Arizona, Nevada e parte do Colorado. Destaca-se ainda a incorporação de terras indígenas, através de um verdadeiro genocídio físico e cultural dos nativos.O intenso crescimento do país, acompanhado de uma grande corrente de imigrantes europeus atraídos pela facilidade de adquirir terras, torna ainda mais flagrante, o antagonismo entre o norte e o sul. No norte, o capital acumulado durante o período colonial, criou condições favoráveis para o desenvolvimento industrial cuja mão-de-obra e mercado encontravam-se no trabalho assalariado. A abundância de energia hidráulica, as riquezas minerais e a facilidade dos transportes contribuíram muito para o progresso da região, que defendia uma política econômica protecionista. Já o sul, de clima seco e quente permaneceu estagnado com uma economia agro-exportadora de algodão e tabaco baseada no latifúndio escravista. Industrialmente dependente, o sul era ferrenho defensor do livre-cambismo, mais um contraponto com o norte protecionista.Essas divergências tornam-se praticamente irreconciliáveis com a eleição do abolicionista moderado Abraham Lincoln em 1860, resultando no separatismo sulista, iniciando-se assim em 1861 a maior guerra civil do século XIX, a Guerra de Secessão, também conhecida como "Guerra Civil dos Estados Unidos", que se estendeu até 1865 deixando um saldo de 600 mil mortos.